26 janeiro, 2009

Vivemos no mundo das teorias. A teoria como opinião não fundamentada, um palpite, um sexto sentido que não conseguimos justificar mas que defendemos convictamente como se nela residisse toda a essência do nosso Ser em oposto ao Ser dos outros. Se a justificarmos então deixa de ser uma teoria, passa a ser uma lei e as leis não têm piada. A ciência exacta não tem piada, não dá para conversa de café e não cria adversidades entre iguais. E que se fodam os outros teóricos.

Eu gosto de teorias.

Claro que é necessário um certo estatuto para poder expôr teorias. Ressalva, é preciso um certo estatuto para que levem as nossas teorias a sério. Como as opiniões. Assim como é necessário um certo estatuto para questionar as teorias ou as opiniões do próximo. A demagogia poderá ser um precioso aliado quando nos propomos a comentar algo completamente fora da nossa área de conhecimento e o senso comum é como diz o outro, todos temos que chegue e ninguém acha que precise de mais. E podemos sempre contar com correcticidade política das audiências.

Gosto especialmente daquelas teorias que só fazem sentido quando contextualizadas em metáforas que não conseguimos realmente explicar mas que nos fazem sentir de tal forma idealistas que quanto mais imperceptível aos outros a nossa ideia se apresentar, mais intelectualmente superiores nós nos sentimos.

Este sentimento de superioridade deriva não do facto de sermos um ser cognitivamente mais dotado que outrem mas do facto de que a frustração patente nos olhares de quem não nos percebe faz de nós nada senão autênticos visionários. Vanguardistas.

Todo este sentimento é virtual, reaccionário ao sentimento dos demais, uma falácia. Mas a piada está toda aí.

Perceber isto é meio caminho andado para passar de carneiro a lobo.

Eu não devo explicações a ninguém.

1 comentário:

Isabel disse...

Eu também gosto de teorias. E gosto de pensar. E de argumentar. E de me enganar. No fundo de aprender. Não devo explicações dos meus pensamentos. Mas devo explicações dos meus actos.
No fundo nunca somos totalmente livres, certo?